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Das falsas atribuições

 

 

Quem é bom conhecedor da obra de Luís Fernando Veríssimo, se pega com certo incômodo ao se deparar com um texto atribuído a ele. E assim com outros. Faça um teste e vá no Google. Vai chegar uma maçaroca de textos bem abaixo da qualidade dizendo ser da lavra do Veríssimo. Outras vítimas são Carlos Drummond de Andrade, Borges, João Ubaldo Ribeiro, Gabriel Gárcia Márquez. Parecem grifes que são falsificadas para dar status a muita coisa genérica de gosto duvidoso. É o que chamo de plágio de autor, um aval não consentido. E se a origem não pode ser controlada, ao menos, cabe um pouco de bom senso e desconfiar quando o texto soa desafinado. Claro que nem sempre é tarefa fácil. Os autores têm obras irregulares, altos de qualidade, funduras de textos sem vigor. As editoras já exploraram também obras bem menores, geralmente esquecidas em gavetas ou negociadas por familiares ávidos para lucrar com o espólio. Caso de Neruda, onde publicaram até os versos feitos na juventude, e de Fernando Pessoa, de onde sai até hoje coisas do baú tão heterônimo quanto o seu dono. Essas fontes são fidedignas, mas podemos recusar ou aceitar um autor dependendo do gosto. Complicado mesmo é aceitar gato por lebre, tomar uma atitude de leitor passivo.

Cora Rónai lançou um livro que trata do assunto de forma divertida: Caiu na Rede, pela Editora Agir. Uma coletânea de textos apócrifos – de falsa autoria – na internet. Diz a autora: “O meio-de-campo da Internet está tão embolado, e os apócrifos se espalham com tal velocidade, que qualquer tentativa de descobrir ou estabelecer autorias é, praticamente uma batalha perdida.” Do batalhão de assuntos, os mais usados são amor, fama e poder. E alguns, com aquele ranço de auto-ajuda. Outras modalidades vicejam por aí: perder a autoria e virar anônimo; ter o nome mudado; ser confundido com outro autor de menor importância.

Misturados nos portais e sites que divulgam com seriedade a obra do criador do Analista de Bagé, encontrei paragens de ocasião jogando na cara – melhor, descaradamente, textos sofríveis, até poemas da mais vagabunda obviedade. O clássico da falsa atribuição ainda é o dito poema Instantes, eternamente gravado em Borges. Sobre este assunto, faço minhas as palavras de José Nêumanne Pinto: De qualquer maneira, essas parcerias beirando o apócrifo produziram um folclore digno de nota. Há algum tempo, circulou quase clandestinamente no Brasil um poema chamado Instantes, que lhe era atribuído. A autoria não resistiria a uma análise crítica criteriosa, mas seu nome foi associado à peça literária sem valor nenhum e ganhou o tom de mensagem de amor à vida. Ninguém em pleno domínio das faculdades mentais imaginaria que o mestre fosse capaz de versos cafonas como: “Se pudesse voltar a viver / começaria a andar descalco no começo da primavera”. Talvez o próprio Borges risse, se recebesse um cartão de Natal com o pobre poema que algum anônimo associou a seu nome, então já uma grife. 



Escrito por André às 10h43
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