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Engrenagem
 


Férias do relógio

 

As férias do relógio estão em toda a parte, divididas em porções minúsculas tão universais que o pulso humano sequer sente. Uma taquicardia sem sons, essas folgas do relógio estão absorvidas por goles e sorvos de tempo e completam seus aniversários pungentes com distrações de inércia que mais parecem temporadas pulverizadas. Um relógio tira férias quando bem entende porque o patrão que o monitora constata apenas um tempo morto, registrado, e não sua pulsação constante, de onde é possível, nas selvas do minúsculo, esconder ócios de maquinário breve. Um relógio volta descansado dessas férias porque por si só não tem noção de tempo; seu coração é transferido para o desespero de quem o possui.



Escrito por André às 11h03
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Lançamento

Notas atemporais para um momento preciso: tarde

 

 

 

Tarde

Paulo Henriques Britto

Companhia das Letras

 

Saiu o novo livro de Paulo Henriques Britto. Chama-se Tarde. Seguindo uma linha predominante em sua poesia, mais ainda em Macau (livro anterior) vemos nesta sua nova obra um refestelar-se em referências, na metalingüística, no tom sóbrio e mais ainda sofisticado. Paulo emula fórmulas, refaz, relê. Passear em uma obra sua é reconhecer velhas estantes em nova arquitetura. Em entrevista para o jornal Rascunho, Paulo Henriques defende a poesia como um hobby com tempo, intimidade e lugar próprios. O desinteresse geral por esta dimensão foi substituído, pelos dias atuais, por formas massificadas de entretenimento. Na verdade, devo concordar, poesia não é estatística, não é pesquisa de Ibope e não é possível mensurar quem deixa de ler, quem troca por outras maneiras de absorver mundos, quem se desilude, quem procura rima e ritmo além do que oferece a música popular. Poesia é um estado de existência, ou se escolhe, ou se abandona. Ler algo deste poeta é refletir acima, abaixo, dentro do seu canto exato. Mas não menos imprevisto.

 

TRECHO • Tarde

 

 

É isto que me cabe.

Dentro disto é necessário caber

até que tudo acabe.

 

Mas há nisso uma espécie de prazer,

uma volúpia esguia,

impalpável, difícil de dizer,

 

feito uma melodia

que se escutou e depois se esqueceu,

porém retorna um dia,

 

inconfundível: sim, este sou eu,

e eis aqui o palácio

que construí, e agora é todo meu:

 

um só andar, um passo

de frente e um de fundo. É um bom começo.

 

(do poema Balanços)

 

Paulo Henriques Britto.



Escrito por André às 11h07
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